O abacate Hass marroquino é um verdadeiro ouro verde no país, que se distingue pelo seu sabor e pela sua polpa que se derrete na boca. Vendida localmente por cerca de 15 dirhams o quilo, esta variedade de abacate está a tornar-se cada vez mais popular em França. Com a sua excecional relação qualidade/preço, o mercado europeu tem todo o interesse em explorar esta oportunidade.
Abacates Hass de Marrocos: uma variedade altamente competitiva na Europa
Os Estados Unidos, o Japão e a Europa são os mercados com maior procura de abacates. O país do Tio Sam adquiriu o hábito de monopolizar uma grande parte da produção mexicana e sul-americana. Quanto ao Japão, onde prevalece a cultura do sushi, a variedade Hass é também muito procurada. Esta constatação põe em evidência o preço exorbitante dos abacates do outro lado do Atlântico, que chegam a custar mais de dois euros cada. Nos últimos anos, o abacate tornou-se progressivamente um produto de luxo.
O mercado francês oferece, portanto, o abacate espanhol como segunda opção. No entanto, é muito menos saboroso e muitas vezes duro como pedra. O abacate Hass marroquino, que é muito mal visto na vizinha Espanha, está agora a tentar conquistar o mercado francês, tal como o seu homólogo queniano. Esta nova variedade do Norte de África distingue-se por uma qualidade semelhante à do fruto mexicano.
Textura e qualidade semelhantes às dos abacates brasileiros
O abacate Hass de Marrocos tem uma casca muito verde e uma forma bastante carnuda. A sua cor e a sua polpa espessa e carnuda são comparáveis às do abacate brasileiro, muito mais pequeno. Os marroquinos que apreciam este fruto consomem-no principalmente como coração de saladas ou como aperitivo. Panachis marroquinos com abacate. Estes famosos e saborosos sumos de fruta locais são servidos como batidos nas Mahlabas (fábricas de lacticínios locais).
Ricos em vitaminas B e E, proteínas e ácidos gordos, os abacates Hass marroquinos são muito procurados quando os mercados europeus não podem ser abastecidos pelos mercados latino-americanos. Esta nova oportunidade constitui, por conseguinte, mais uma ocasião para Marrocos demonstrar as vantagens da sua agricultura de qualidade nos mercados externos. Ao longo do tempo, Marrocos está a tornar-se cada vez mais um cabaz alimentar para muitos países europeus. Os seus preços competitivos e a qualidade dos seus frutos e produtos hortícolas fazem deste país um parceiro ideal, em detrimento de Espanha.
Onde é que os abacateiros de Marrocos florescem?
O abacate Hass marroquino é cultivado exclusivamente numa faixa de terra de 7 quilómetros de largura, entre as cidades de Larache e Kenitra. É no centro desta zona de 130 quilómetros de extensão que se encontra a quase totalidade da produção. No entanto, a cultura começa a desenvolver-se nas zonas costeiras atlânticas de Souss Massa Draa. tal como a banana Cavendish. O atrativo desta variedade de abacate reside na sua grande disponibilidade durante todo o ano. O fruto verde é abundante de setembro a maio. E as bancas e carrinhos de vendedores ambulantes nas cidades e douars do Reino só servem para realçar a vitalidade desta produção.
O que é que o futuro reserva ao ouro verde em Marrocos?
O abacateiro leva geralmente quatro anos para produzir o seu primeiro fruto. Tal como a macieira, produz em abundância. No entanto, as necessidades de água são enormes. O país está atualmente entre os 30 países que sofrem de stress hídrico extremo. Embora as novas técnicas agronómicas estejam a resolver o problema, as principais regiões de produção ainda não foram muito afectadas pela seca. No entanto, se o cultivo do abacate Hass marroquino se intensificar a longo prazo, é provável que as reservas de água subterrânea se esgotem.
O país enfrenta, por conseguinte, dois desafios:
- Primar pela qualidade deste produto agrícola, a fim de desenvolver as relações comerciais com o estrangeiro
- Garantir que as suas necessidades de água são satisfeitas a longo prazo.
Num mundo onde domina a lógica capitalista, a primeira solução é suscetível de atrair mais atenção. Assim, o abacate Hass marroquino pode encontrar-se numa situação contraditória. Em primeiro lugar, existe o risco de que este fruto, que rende divisas, seja sobreexplorado por outros agricultores. A consequência direta seria uma descida dos preços e a exportação do fruto tornar-se-ia menos rentável.
Por último, se a questão ambiental se tornar comparável no México, no coração das zonas de produção de abacate, a temperatura poderá eventualmente aumentar dois graus devido à falta de água. Em todo o caso, é o que está a acontecer atualmente na região de Michoacan (a principal zona de produção mundial), onde o abacate substituiu, ao longo do tempo, as florestas naturais de pinheiros.
